Som é movimento, por isso mesmo é o movimento que está na base da execução instrumental, não apenas enquanto gesto motor, mas também enquanto consciência corporal do movimento a todo o momento. Deste modo, a tomada de consciência da eficácia do movimento é, em si mesma, correlato de melhor gesto instrumental. Ajustar o gesto necessário ao movimento correto e, por extensão ao movimento corporal correto, é a base de uma prática eficaz. A manutenção da ação muscular ativa, mas flexível é fundamental para a qualidade da execução instrumental refletindo-se na qualidade do som. Assim, ferramentas tais como o movimento simples, a locomoção, a percussão corporal, a coreografia ou a dança, entre outras, são ferramentas a que todo o professor de instrumento deveria recorrer para uma prática muscularmente mais flexível e, como tal, mais eficaz. A motricidade grossa afeta a qualidade da motricidade fina requerida para tocar um instrumento musical. Se o gesto locomotor for cuidadosamente escolhido o gesto de motricidade fina será realizado com maior economia e eficácia prevenindo problemas de saúde.

Movimento e prática instrumental

Movimento e prática instrumental

Esgotado

Ação de formação Creditada

12,5h | Registo:CCPFC/ACC-120007/23

por

Ana Leonor Pereira

Destinatários:

Professores dos Grupos M01 a M25

Datas:

20 de abril a 12 de maio de 2026

Valor da Inscrição:

Sócios da APEM com as quotas regularizadas1 - 30 €

Não Sócios2 - 60€

1Os sócios com as quotas em dia para beneficiarem do desconto de sócio têm que fazer o login no site da APEM.
2Torne-se sócio e poupe de imediato ao inscrever-se nesta formação. Clique aqui para saber mais.
Número máximo de participantes: 30
Modalidade:

A formação decorre maioritariamente em sessões assíncronas, de modo a que os formandos possam gerir o tempo na realização das atividades propostas, devendo apenas respeitar as datas limite.

Sessões síncronas decorrerão às terças-feiras das 20h30 às 21h30.
Requisitos mínimos
  • Computador com um mínimo de 2 GB RAM/2 GHz no sistema operativo MAC OS X 10.7 ou posterior, Windows 7 ou posterior ou a última versão GNU/LINUX;
  • Auscultadores, câmara e microfone;
  • Ligação à internet.

Sinopse:

Som é movimento, por isso mesmo é o movimento que está na base da execução instrumental, não apenas enquanto gesto motor, mas também enquanto consciência corporal do movimento a todo o momento. Deste modo, a tomada de consciência da eficácia do movimento é, em si mesma, correlato de melhor gesto instrumental. Ajustar o gesto necessário ao movimento correto e, por extensão ao movimento corporal correto, é a base de uma prática eficaz. A manutenção da ação muscular ativa, mas flexível é fundamental para a qualidade da execução instrumental refletindo-se na qualidade do som. Assim, ferramentas tais como o movimento simples, a locomoção, a percussão corporal, a coreografia ou a dança, entre outras, são ferramentas a que todo o professor de instrumento deveria recorrer para uma prática muscularmente mais flexível e, como tal, mais eficaz. A motricidade grossa afeta a qualidade da motricidade fina requerida para tocar um instrumento musical. Se o gesto locomotor for cuidadosamente escolhido o gesto de motricidade fina será realizado com maior economia e eficácia prevenindo problemas de saúde. Para além de todas as questões técnicas que beneficiam destas ferramentas, as questões artísticas tais como o sentido da frase, da dinâmica, da agógica, vêem-se explicitadas através do movimento. Dalcroze viu isso mesmo no início do século XX quando compreendeu a importância do movimento para a expressividade musical e para a compreensão rítmica e musical e o passou a integrar na pedagogia como um dos mais importantes pilares da aprendizagem musical. No seu trabalho quotidiano o professor de instrumento utiliza permanentemente o gesto e o movimento corporal: poder fazê-lo mais conscientemente, poder relacionar a eficácia da motricidade fina à motricidade grossa através de novos e originais exercícios, criar estratégias técnicas e expressivas com recurso ao movimento, são objetivos desta formação. Capacitar, deste modo, o professor de música das ferramentas necessárias para a implementação duma didática instrumental fundada no sentido do movimento é, sem dúvida, uma mais-valia que esta formação visa proporcionar.

Objetivos a atingir:

  1. Fornecer informação básica acerca das propostas de Dalcroze, Alexander e Feldenkrais sobre a importância da consciência do movimento corporal.
  2. Despertar a consciência da importância do movimento na produção instrumental.
  3. Produzir frases no instrumento musical com movimento corporal, locomoção, percussão corporal, coreografia ou dança adequadas.
  4. Associar o movimento corporal ao gesto musical eficaz — musical (melódico ou rítmico), técnico e expressivo.
  5. Implementar estratégias de utilização do movimento no repertório em aula.
  6. Compreender a importância da flexibilidade muscular para a execução instrumental através da utilização do movimento.
  7. Fornecer exemplos adequados desta associação em exercícios e em repertório.
  8. Criar movimentos para peças propostas tendo em conta o gesto necessário na produção instrumental.
  9. Estimular a utilização do movimento no repertório em sala de aula.

Conteúdos:

  1. Importância da consciência do movimento corporal em geral e, em particular, na execução instrumental. Eurritmia de Dalcroze, gesto e movimento na Técnica Alexander e na metodologia de Feldenkrais.
  2. Exercícios de movimento e exercícios de movimento para a execução instrumental. O movimento ao serviço do gesto eficaz e da qualidade do som assim realizada. Relação da motricidade fina com a motricidade grossa e suas implicações na didática instrumental.
  3. Criação de movimento, coreografia e dança para peças instrumentais e canções, em correlação com a qualidade do movimento e a qualidade do som. Exploração na sala de aula.

Metodologias de realização da ação:

A ação será fundamentalmente de índole prática (9 horas) nas quais serão realizados exercícios de movimento associado à fonação, serão criados movimentos e coreografias em função vocal e musical. Serão ainda dadas 3 horas de aulas teórico-práticas nas quais será fornecida fundamentação teórica para a compreensão da importância da produção vocal com movimento.

A avaliação dos formandos será efetuada tendo em conta: 

  1. A avaliação contínua nas situações práticas da ação e na realização e participação nas tarefas propostas;
  2. Uma breve reflexão escrita sobre alguns dos conteúdos da ação à escolha do formando. 

Na avaliação dos/as formandos/as será dado cumprimento às determinações legais, nomeadamente os nºs 1 a 4 e 7 a 9 do artigo 4º do Despacho nº 4595/2015 do Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, publicado no Diário da República, 2ª Série, Nº 87, de 6 de maio, e ao Regulamento para acreditação e creditação de ações de formação contínua, de 9 de maio de 2016, do CCPFC.

A avaliação é formalizada numa escala de 1 a 10 com a menção qualitativa de:

  • 1 a 4,9 valores – Insuficiente
  • 5 a 6,4 valores – Regular
  • 6,5 a 7,9 valores – Bom
  • 8 a 8,9 valores – Muito Bom
  • 9 a 10 valores – Excelente

Bibliografia fundamental

  • Davidson, J. W. (2012). The role of bodily movement in learning music: applications for education. In The Oxford Handbook of Music Education, vol. 1, pp. 769–782.
  • Jain, S., Janssen, K., & Decelle, S. (2004). Alexander Technique and Feldenkrais Method: A critical overview. Physical Medicine and Rehabilitation Clinics of North America, 15, 811–825.
  • Nelson, S. H., & Blades-Zeller, E. (2018). Singing With Your Whole Self: A Singer's Guide to Feldenkrais Awareness Through Movement. Rowman & Littlefield Publishers.
  • Pereira, A. L. (2024). Movimento e Aprendizagem. NL Associação Portuguesa de Educação Musical, março.
  • Visi, F., Schramm, R., Coorevits, E., & Miranda, E. R. (2017). Musical instruments, body movement, space and motion data: Music as a multimodal choreography. Human Technology, 13(1), 58–81.
Ana Leonor Pereira

Ana Leonor Pereira

Mestre em Ciências da Fala pela ESSA/Universidade Católica, licenciada e profissionalizada em Canto pelo Conservatório de Haia e em Filosofia pela Universidade de Lisboa. É bacharel em Canto pela ESML. Formadora creditada pelo CCPFC. Tem vários artigos científicos publicados e discos editados. Fundou o Teatro de Ópera Infantil do qual é directora artística. Foi-lhe atribuído o Título de Especialista em Música. Lecciona nos mestrados em Ensino Vocacional da Música no ISEIT do Instituto Piaget de Almada e nos Conservatórios de Música de Lisboa e de Mafra sendo, deste último, Directora Pedagógica.

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©  Associação Portuguesa de Educação Musical

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