Artigos de Opinião

De A a Z para a Música na Educação

Desde janeiro de 2017 a APEMNewsletter tem uma nova rubrica: De A a Z para a Música na Educação.

Convidamos professores, investigadores, músicos, artistas de outras áreas, políticos e mais cidadãos interessados, a apresentarem o seu abecedário de Música na Educação.

A partir de palavras organizadas por ordem alfabética, os autores convidados apresentam uma seleção de palavras e uma pequena justificação dessa seleção criando a sua visão sobre a música na educação.

É um desafio, um risco, um exercício criativo e também um bom princípio para refletirmos sobre este tema, que já nasceu no Encontro Nacional da APEM em novembro passado com a temática: “Que futuros para a Música na Educação?”

Clique aqui para ler todos os artigos de A a Z publicados.

De A a Z para a Música na Educação... por Pedro Branco

Professor do 1º Ciclo desde 1987, formado pelo Magistério Primário de Lisboa. Trabalhou no Externato “As Descobertas” e no “Jardim Infantil “Pestalozzi” até 1992, altura em que foi convidado pela Constância Editores, para integrar o seu quadro de Editores de livros escolares, cargo que exerceu até 1997.

Pedro Branco
Fotografia de Diogo Branco

Pedro Branco

Professor do 1º Ciclo desde 1987, formado pelo Magistério Primário de Lisboa. Trabalho no Externato “As Descobertas” e no “Jardim Infantil “Pestalozzi” até 1992, altura em que foi convidado pela Constância Editores, para integrar o seu quadro de Editores de livros escolares, cargo que exerceu até 1997.

Nesse ano é contratado pelo Externato Fernão Mendes Pinto, local onde permanece até hoje, com uma turma de vários anos de escolaridade desde 2006.

A sua atividade profissional tem sido pautada por um grande investimento em variadíssimas instâncias do Movimento da Escola Moderna: Congressos, Grupos de Trabalho, Formação… Outras atividades: dirige grupos de teatro e de música, dedica-se à escrita e à música, tendo editado já 6 livros (poesia, prosa, infantil…) e 1 disco. Promove e participa em eventos de poesia e de música com regularidade. Pai de 7 filhos.

Clique no seguinte link para ler este A a Z:

“É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida.”

(Salvador Dalí)

A

de amor.

Sem amor nada tem aquele sentido que todos achamos que é preciso. Parece que é algo de somenos importância e de fácil acesso, mas não. Infelizmente, o Homem é pródigo em atirar areia para os próprios olhos para não se confrontar com as suas maiores dificuldades e embaraços. Alguma vez se imaginou um Músico compor sem amor? Amor a uma pessoa, a uma causa, a uma revolta… Os professores (profissionais de afetos), infelizmente, não fogem a esta espécie de regra instituída e muito conveniente. E os professores de Música? Será que o amor cabe no meio das colcheias e dos compassos? .

(https://www.youtube.com/watch?v=75iqd2yJH6w)

B

de bondade.

Poderia repetir, quase na íntegra, o parágrafo anterior… No entanto, aproveito para lembrar que a Música, como qualquer arte, é uma atividade de dádiva, de comunicação, de amor, de bondade. Claro que vos falo como criador, como músico. Isso é lógico. Mas também o refiro como profissional de Educação que sou. Penso que é preciso que se coloque a bondade nas respirações docentes para melhorarmos as escolas que temos. E os professores de Música? Será que a bondade tem lugar junto das pausas e dos silêncios?

(https://www.youtube.com/watch?v=ZfyAsj4_ZDI)

C

de confiança.

Outro chavão. Outro clichê. Outra verdade inquestionável. Outro paradoxo entre aquilo que se defende (será que se pensa verdadeiramente?) e o que se faz. O ser humano em geral e os professores em particular têm uma tendência a não confiar muito nos outros, a excluir a bondade do seu lado mais consciente. Historicamente somos “formatados” a desconfiar do vizinho e a construir muros. Um Músico nunca pode deixar de confiar nos seus pares. Confiar na capacidade de improvisação dos seus pares ou na competência de reprodução do que está escrito. Um músico não pode deixar de confiar no público, no seu “juízo” (ou falta dele) e reações. Um professor não poderá deixar de confiar, como é obvio, nos seus alunos. Confiar nas suas potencialidades de aprendizagem, nos seus interesses e leituras, na forma como cada um comunica, se expressa e enfrenta aquilo que lhes pomos à frente. E os professores de Música? Será que a confiança tem estado perto das pautas?

(https://www.youtube.com/watch?v=CRIXprZqRd4)

D

de dinâmica.

Este termo sempre aparece e faz o seu figurão. Em vários domínios da sociedade. Na Música, obviamente que temos de pensar nisso e a confiança é quase cega. A dinâmica, seja ela qual for, é algo assumido por quem faz Música e sentido por quem a ouve. Em Educação temos igualmente que nos lembrar que os grupos, as turmas, apresentam dinâmicas muito próprias, às quais temos de olhar de forma diferenciada. Ou será que podemos fazer as mesmas coisas com grupos de características diferentes? Ou será que não contemplamos nas nossas preparações algo que tenha a ver com dinâmica? Dinâmica dos grupos... Dinâmica dos espaços... Dinâmica dos tempos… E os professores de Música? Será que as questões da dinâmica conseguem vir de dentro?

(https://www.youtube.com/watch?v=3ZGkdW80gnc)

E

de estrutura.

Sou uma pessoa organizada, mesmo que em certa medida me possa identificar, por determinadas vezes, com o estigma do caos daquele que cria. Acredito que uma estrutura sólida e consistente, envolvente e holística, viva e presente, cooperativa e democrática, é sempre o alicerce para qualquer movimento, seja qual for o paradigma social e cultural. Defendo e promovo isso na forma como organizo todo o ambiente da minha sala de aula e procuro que neste processo em constante ebulição (dinâmico?) eu e os meus alunos nunca nos sintamos sozinhos, desacompanhados, sem forças, com pouca energia para fazermos o que temos de fazer: aprender e ajudar a aprender. Temos, portanto, uma sala de aula onde a voz é a de um grupo com o seu líder, no respeito e na crença por uma estrutura onde cada um se possa expressar e desenvolver como pessoa, como cidadão ativo e participativo, como criador de cultura com voz e opinião, com vontade de dar… E os professores de Música? Será que existe uma estrutura coerente na forma como cada um encara o seu trabalho e a sua ação?

(https://www.youtube.com/watch?v=hkBchjktpMY)

F

de felicidade.

Já vão faltando as palavras para defender o que penso ser fundamental na vida (consequentemente, na escola): que as pessoas se sintam bem, confortáveis e confiantes nos lugares onde vivem e onde trabalham, em estruturas boas e coesas, junto daqueles com quem estão e têm de conviver. Ora o que é que isto tem a ver com a escola? Tudo. Será que professores e professores, professores e alunos, professores e diretores, alunos e auxiliares… vivem com felicidade? O que podemos, cada um de nós, fazer para melhorar a nossa felicidade? Queremos pensar nisso? Que podem os professores de uma área tão expressiva como a Música fazer para promover maiores momentos de felicidade nos seus alunos? Será que este desígnio cobre o Currículo tão específico a que nem todos ousam, conscientemente, desobedecer?

(https://www.youtube.com/watch?v=2gs3MoUAZWw)

G

de gume.

Somos todos um pedacinho muito pequeno de um grande fruto. Uma espécie de gume. Ora amargo, ora doce (não precisa ser citrino), mas imprescindível para que o todo se cumpra. Tenhamos a consciência desta humildade e consigamos encontrar nos nossos grupos – família, amigos, colegas, turmas… – essa visão holística e ecológica da condição humana, muito anterior à condição de docentes. Será que, qual orquestra onde cada um desempenha um papel fundamental, conseguimos encontrar esse equilíbrio estratégico, essa felicidade, nas condições que temos à frente e d(n)as quais a maior parte das vezes se sentem tão afastados e impotentes? E os professores de Música? Qual a percentagem de importância que cada um desempenha nesta harmonia?

(https://www.youtube.com/watch?v=CuZ2254HSp4)

H

de hierarquia.

Não sou muito apologista do caos ou da anarquia. Como já se deve ter percebido pelas abordagens várias que até agora fiz, procuro participar na construção de fortes contextos de desenvolvimento e bem-estar. Passa-se na vida. Passa-se na Educação. Passa-se na Música. Há sempre papéis que cada um desempenha dentro de cada grupo, na correlação das suas forças (hierarquias) que se sustentam em papéis e poderes simbólicos e efetivos bem definidos e aceites, como gumes. Fugindo aos egos e egoísmos; às maldades e mediocridades. Procurem-se então estruturas hierarquicamente coesas onde cada um saberá do seu lugar, da intensidade da sua voz e do seu instrumento. E os professores de Música? Qual a liberdade que cada semibreve assume nas partituras das salas de aula?

(https://www.youtube.com/watch?v=7XtLeGhOVFg)

I

de inquietação.

Tão fácil aceitar a ideia de que parar é morrer e que pode ser a insatisfação que nos move. Há algo sempre pronto a acontecer se quisermos e queremos! Há sempre uma nova janela a abrir e queremo-la abrir! Há sempre um mergulho a dar e damos! Na vida, na Educação… procuremos então, nas hierarquias que nos amparam essa linha ténue, mas certeira, que nos separa do comodismo e da inércia, levando-nos para patamares superiores da nossa (pequena) existência. Façamos de cada segundo uma grande sinfonia onde toda a nossa pele se reveja pronta a nos espelhar. Será que procuramos? E os professores de Música querem descobrir nos movimentos fortes e já carregados dos seus alunos as cores da inquietação, que os faça querer ser mais e mais?

(https://www.youtube.com/watch?v=cuMcEC8YygU)

J

de jorro.

Se pensarmos nas crianças e nos jovens como fontes, logo teremos a certeza dos rios. Se deixarmos que cada um deles e todos eles nos inundam com tamanha capacidade e água, logo teremos a infinitude do mar. Se acreditarmos que todo o nosso trabalho se pode alicerçar numa inquietação e pode ir muito mais além do que sabemos, dos nossos medos e vontades, logo teremos todas as dúvidas prontinhas a criar-nos os sorrisos das descobertas. Se nos deixarmos deslumbrar por tamanho jorro criativo e fome de vida, logo encontraremos os ingredientes para viagens inesquecíveis. Acredito que em Educação muito mais importante que falar é ouvir; muito mais importante que saber falar é saber ouvir. É de ouvir que vos falo. Ouvir o jorro que cada um traz consigo e que, de uma forma ou de outra, a Música consegue potenciar. Será que os professores de Música querem acreditar nestas torrentes sem a prisão dos saberes e das teorias?

(https://www.youtube.com/watch?v=YPO1iaetL2I)

K

de Kant.

Sob pena de não nos cumprirmos verdadeiramente, temos de acreditar no Homem e naquilo que ele sabe e é, no seu jorro. Temos de acreditar que, provavelmente contra todos os cânones pedagógicos, nós, os professores, não estaremos já acima dos outros. Precisamos de nos relativizar perante a complexidade contemporânea que tanto tem obrigado a mudar uma Escola que teima em manter-se na mesma. Talvez por isso esteja tão mal. Talvez por isso precise cada vez mais das artes. Talvez por isso esteja, na minha modesta opinião, em estado de moribundez latente. Talvez por isso nos impele para novos arranjos e orquestrações. Será que os professores de Música, quais criadores e loucos, querem enfrentar corajosamente o grande desígnio da mudança? Entrar no ruído para o modificar e transformar? (Veja-se, por exemplo, na facilidade que seria nas escolas haver Música para todos, onde cada um se possa sentir realizado, a produzir e a produzir-se, em obras culturais várias e de diversos alcances… a Música tem o grande poder de não ter – curricularmente – poder quase nenhum…)

(https://www.youtube.com/watch?v=5-Dry18_rrk)

L

de luz.

Tão bem que podíamos associar luz e som! E jogar com isso. Brincar com as inúmeras possibilidades das inúmeras teorias dos inúmeros paradigmas dos inúmeros tempos áureos dos inúmeros génios (Kant?) dos inúmeros sentidos que tudo pode ter… A luz é o sol e o sol é vida e a vida somos nós e o melhor do mundo são as crianças. Ah, e cada um tem dentro de si uma criança, claro! A luz também ofusca e nos atira para a cegueira ou outro qualquer ensaio. Ah, ensaio. Sim! É preciso ensaiar para que a Música seja Música. Há que ter algum discernimento profissional, certo? Luz porque cada um de nós tem em si uma luz. Ou várias. Pensemos com juízo: Será que aceitamos isso sem culpabilizações, tão frequentes nos professores? “Oh, pois… o pai não lhe dá atenção e por isso ele é assim…” “Oh, tem problemas financeiros…” “Oh, é um menino que tem tudo e não dá valor a nada…” Luz! Luz! Luz! Esse brilhozinho nos olhos com que conseguimos amar! Conseguimos? E os professores de Música será que encontram esse calor dentro de cada um pronto a explodir e a pintar o mundo? Desculpem o tom surreal desta parte, mas a luz deixa-me às vezes sem ver muito bem…

(https://www.youtube.com/watch?v=L1VfDGug95w)

M

de Música .

Entrar pelo discurso da importância da Música no desenvolvimento humano será seguramente gerar-se um consenso brutal! Convenhamos: não é isso que está em causa e que tenho procurado trazer à tona (provavelmente sem sucesso…). A questão estará sim nas certezas ou incertezas com que cada professor de Música lida com a sua função (e as suas prováveis frustrações?), com a luz que cada um consegue emanar. Fazemos do pouco tempo que temos com os alunos momentos de verdadeira qualidade e criatividade? Deixamos que a Música se torne, efetivamente, uma respiração em cada um e nos grupos? Acreditamos, confiamos que cada um tem dentro de si toda a Música capaz de criar Música e assumimo-nos como gestores com outro poder científico e teórico que se emocionam e se deslumbram com tamanhas capacidades dos alunos? E os professores de Música sabem desta perigosa liberdade?

(https://www.youtube.com/watch?v=mADiz_vn0RQ)

N

de neo.

Renovemos a vida a cada novo acordar! Assim, como uma verdadeira dádiva. Lembro-me bem de um dos meus mestres – João Mota –, cidadão da vida, do teatro, da arte e da pedagogia, me dizer isso mesmo, junto ao copo de água morna em jejum. Defendo que podíamos atingir outros patamares com outros contornos de respiração e de energia se efetivamente dessemos graças a um novo sol, um novo dia. Artistica e pedagogicamente. Porque em cada cantar haverá sempre uma espécie de bênção e uma nova oportunidade de sermos donos da nossa sala de aula e do nosso tempo nesta bela, delicada e honrosa missão de podermos educar os filhos dos outros. Será que os professores de Música encontram esse intervalo de tempo imprescindível?

(https://www.youtube.com/watch?v=U5L4RvHsk0g)

O

de ócio.

Palavra proibida na vida? Palavra herege na escola? “O Homem não nasceu para trabalhar”, diria Agostinho da Silva. Não tenho esse poder que me dê alguma credibilidade para vos dizer algo semelhante. Apenas o seguinte: Não podemos viver bem sem tempos de ócio e verdadeira fruição artística, cultural, desportiva, afetiva... E se não vivemos bem não devíamos ser professores. E se não formos MESMO professores não podemos ser professores de Música (não o serão eles já?). Haverá espaço nas escolas para tal? Estarão os Currículos preparados para assumir esse novo (neo) tempo, tão fundamentais e geradores de tantas aprendizagens e crescimento “não controlável”? Serão os professores capazes de não estragar essas respirações (recordo a minha professora que nos obrigava a fazer sempre uma ficha interminável de leitura de cada vez que líamos um livro, o que provocou que metade da turma começasse a detestar ler)? Será que os professores de Música querem simplesmente cantar, ouvir Música, conversar sobre Música com os seus alunos só porque é bom e sem se preocuparem tanto com a verificação dos conhecimentos ou a desocultação/desconstrução da obra artística (que por vezes é uma arma bem poderosa e assassina…)? Não será o ser capaz de construir, fruir e partilhar só por si já uma grande aprendizagem?

(https://www.youtube.com/watch?v=hml9ubcstRo)

P

de Pauta.

Esta palavra encerra em si um conceito feliz para uma sociedade melhor. Só com ordem e clareza as comunidades poderão conhecer-se e evoluir. Só com orientações serão criadoras de mudanças significativas. Na vida, na Educação, na Música, não podemos deixar para trás este poderoso registo que nos responsabiliza para um estar mais ativo e forte onde quer que estejamos, onde se consegue encontrar espaço para tudo (inclusivamente para o ócio). Será que os professores de Música querem construir as suas pautas com os seus alunos? Deixar que as linguagens de cada um se configurem em equilíbrios com sentido? Ou simplesmente insistem numa formatação pouco consequente para quem, como a maior parte dos alunos, encara a Música como uma linguagem própria e algo inconsequente como ferramenta de trabalho e de vida?

(https://www.youtube.com/watch?v=2gHu96WQLcU&list=PLw0v_UUM0hKAKbF8urEHLF0kL0-zKhAF0&index=1)

Q

de quimono.

“Coisa para vestir”, diretamente do Japonês. Eis o que todos devemos fazer na vida. Vestir a nossa vida e fazer do nosso (curto) passeio uma existência cheia de paisagens e dádivas. Somos todos criadores e capazes. E temos uma ou várias pautas! Sabemos enfrentar os espelhos e verificar-nos para continuarmos a ser melhores, para nós e para os outros. Fugindo aos egocentrismos sociais que nos querem afastar uns dos outros. Rejeitando as grandes ilusões do novo e “fantástico” mundo tecnológico atual! Qual é então o grande roupão que decidimos vestir para “combater”? Será que sabemos? Será que os professores de Música aceitam as passerelles dos seus alunos e se deixam deslumbrar com isso?

(https://www.youtube.com/watch?v=PTt6dUGzO80)

R

de reflexão.

A vida não é uma viagem que se faça sem pensar nela. Temos de nos colocar em posições humildes de a tentar entender para a tentar melhorar. De vestir esse quimono. Esta é uma verdade mais que lógica. Tanto como aquele sinal de trânsito que está sempre no mesmo sítio e já nem o “vemos”. Será que encaramos a necessidade de sermos reflexivos – connosco e com os outros – para podermos viver e trabalhar melhor? Ser professor tem de ser, seguramente, uma profissão onde esta competência deve surgir como forte instrumento de trabalho, qual serrote para o carpinteiro. Será que os professores de Música levam para as suas pautas este olhar? Permitem-se isso? Permitem essa voz aos outros? (Sim, os alunos são, por natureza, bem mais capazes de pensar do que certos adultos…)

(https://www.youtube.com/watch?v=mpauUChzXB0)

S

de sinais.

Fascinam-me os Músicos que conseguem incorporar nas suas orquestrações subtilezas que as enriquecem. São sinais conscientes que tornam a comunicação em algo ainda mais surpreendente e potenciador. Na vida, como na Educação (já se reparou que este paralelismo me surge quase sempre?) não devíamos deixar de procurar que a leitura e a reflexão sobre esses sinais – dos olhares, da linguagem não verbal, dos implícitos… – que na maior parte das situações são excluídos da nossa função como sendo algo não mensurável e de pouca importância, como não fazendo parte da condição humana, como não entrando na equação docente… Somos humanos. Temos uma profissão de relação. Não será legítimo de todo não encarar os sinais dos outros como avisos para a nossa reflexão e ação. Com a sensibilidade que nos é característica. Será que os professores de Música encaram esta questão quando olham para os outros? Será que procuram esses sinais para as suas orquestrações?

(https://www.youtube.com/watch?v=B5P4lRBOfNE)

T

de textura.

Se nos pensarmos como um grande tapete ou manto colorido, onde cada um tem a sua forma, a sua cor, os seus sinais, facilmente entenderemos que os sonhos e os medos que nos acompanham sempre (Temos, não temos?) também formarão as suas texturas, que com os outros nos levarão a manter a nossa vida mais aconchegada. Somos ao mesmo tempo aqueles que se colocam debaixo do xaile nas noites de frio como os que tricotam o casaco de malha para vestir ou oferecer. Haja cor! Haja conjugação e vontade! Será que os professores de Música aceitam entrar nesta espécie de loop que se vai multiplicando em si até ao grande manto final? Ou ficamo-nos pelas potencialidades de pedal de efeitos?

(https://www.youtube.com/watch?v=m4UpryzurOU)

U

de único.

Único é cada momento que vivemos. Cada acorde que ouvimos ou cada voz que nos ressoa no coração. Únicos são as crianças e os jovens que temos à frente e todas as suas capacidades e medos. Únicas são as nossas responsabilidades perante isso. Única é cada criação humana – Canção, Pintura, Poema… – e por isso únicos somos nós. Já vos “roubei” um sorriso com estas divagações? Boa! Façamos da nossa vida, das nossas texturas, das nossas aulas, momentos verdadeiramente únicos e nossos. Meus e teus. Dele e deles. Dos outros. Será que os professores de Música encaram este frontispício quando colocam uma obra ou uma atividade a circular? E quando acordam de manhã?

(https://www.youtube.com/watch?v=n92WXR-AuUM)

V

de viagem.

Eis o grande motivo da nossa vida. Quiçá o único… Eis a nossa vida. Eis o que fazemos. Somos músicos? Viajamos pelos sons, pelos instrumentos, pelas cantigas, pelos públicos, pelas obras que produzimos… Somos cozinheiros? Viajamos pelos alimentos, pelo olhar sobre eles, pela forma como os tratamos e juntamos, pelo que inventamos… Somos professores? Viajamos pelos outros, pelas responsabilidades que temos sobre eles e com eles, por aquilo que lhes dizemos ou não dizemos, pelo que fazemos ou não fazemos… Quem pensa assim? Será que os professores de Música aceitam e acreditam nestas viagens e em todas as suas causas e consequências quando colocam uma canção popular portuguesa para se dançar? Será que temos esta consciência na pele?

(https://www.youtube.com/watch?v=LrNz37uc7kc)

W

de Wagner.

A perspetiva do trabalho holístico e assumidamente profundo. Estar na vida – viver – é isso mesmo: uma viagem de aceitarmos a nossa condição de produtores e fazedores de cultura, capazes de se emocionar e de emocionar, de manter acesas as chamas individuais e coletivas dos outros. Podemos dizer isso mesmo quando pensamos na maioria das salas de aula, repetitivas, onde todos fazem praticamente o mesmo e onde em vez de construírem conhecimento se limitam a reproduzir conhecimento? Podemos acreditar que ISSO é profundo e interessante? Desculpem, mas não. Ainda por cima nos tempos que vivemos, em que a informação nos chega agora bem mais depressa e nalguns casos de forma bem mais interessante… Será que a Música “curricular”, os professores de Música, não poderiam assumir uma vertente bem mais provocadoramente mais desafiadora do ponto de vista cognitivo, emocional e social? Quem pensa nisso?

(https://www.youtube.com/watch?v=yDbjyZrdeSI)

X

de xamamento.

Eis mais uma traição ao espírito deste convite (escrever este artigo), que muito me honrou e desde já agradeço. Um erro ortográfico!!! Mas não se pense que não tem razão de ser, porque tem. Primeiro, na crença de que não precisamos de ser perfeitos para nos fazermos entender (Atingiu-se o conceito, certo?). Depois, num confronto teoricamente complexo que é pensar-se que muitas das questões da ortografia não apresentam regras tão facilmente entendíveis e que inclusivamente algumas têm tantas exceções que mal conseguimos decidir. Igualmente a escolha desta forma pouco “ortodoxa” também pode ilustrar a minha ideia (profunda, Wagner) de que precisamos de escolher bem as prioridades da vida (E da Educação!), sob pena de nos perdermos do essencial. Ou não terão os Currículos de Língua Portuguesa uma carga ortográfica e gramatical tamanha que as crianças e os jovens se vão desinteressando da leitura e da escrita cada vez mais… Será que os professores de Música conseguem chamar (agora sim, corretamente) para si a responsabilidade de… chamar o que é realmente interessante? Mesmo que para isso tenham de “comprar” algumas guerras…

(https://www.youtube.com/watch?v=iojYDSjKK00)

Y

de yang e yin.

Somos todos feitos destas forças e das suas conjugações. Somos seres vivos e como tal diferentes e cheios de energias várias. Não sou adepto de nenhuma linha especial, religiosa ou espiritual. Sigo os meus instintos e capacidade de reflexão e ver o mundo, nos “xamamentos” de estar vivo. Procuro sentir o que está à minha volta como um rio sempre ativo, que corre da fonte à foz, que alimenta um leito estruturado nas suas margens. Valerão de muito pouco as teorias várias e específicas nos vários níveis laborais onde nos situamos se depois não nos entendermos como seres vivos ou se acharmos que isso é tão banal que nem vale a pena pensar-se. Eu penso. Desculpem. Antes de ser humano sou animal e antes de ser professor sou um ser humano. Antes de ser pai sou pessoa ou antes de ser marido sou homem… Será que os professores de Música conseguem entender o lado estético e individual d(est)a arte? Será que assumem na sua ação o lado energético do mundo e do Homem?

(https://www.youtube.com/watch?v=yEhsvrMpoRA)

Z

de Zeus.

Eis o grande deus dos deuses. Tal como nós. Somos os grandes deuses das nossas vidas, das nossas escolas e dos nossos alunos. O yang e o yin. Por isso, temos de nos fazer valer disso. Conto (mais) uma história: Estava o Raul Solnado a descer a rua 31 de janeiro no Porto, à noite, quando é abordado por um velho. “O senhor não é o Raul Solnado?”, pergunta-lhe admirado, de dedo apontado. “Não… não sou.”, terá dito o Raul, não querendo alimentar conversas com desconhecidos, uma vez que devia estar com pressa. Reação do tripeiro – “Oh, homem! É que é mesmo parecido! Aproveite-se disso! Aproveite-se disso!”. Aproveitemos a nossa condição! Ser professor já é uma autêntica maravilha. Ser professor de Música é ampliar todas essas possibilidades com a associação fantástica do som e das suas potencialidades. Por isso… aproveitem-se disso! Aproveitem-se disso!

(https://www.youtube.com/watch?v=kGvY4tqcgUQ)


LISTA DOS M(Z)EUS ACOMPANHANTES NESTA VIAGEM (em português):

  1. Carolina Deslandes
  2. Jorge Palma
  3. Chico Buarque
  4. José Afonso
  5. José Mário Branco
  6. Caetano Veloso
  7. Sérgio Godinho
  8. Elis Regina
  9. Dead Combo e Camané
  10. Maria Bethânia
  11. Os Azeitonas
  12. Pedro Osório
  13. António Variações
  1. Osvaldo Montenegro
  2. Trovante
  3. Chico Buarque
  4. Pedro Abrunhosa
  5. António Zambujo
  6. Pedro Branco
  7. Djavan
  8. Paulino Vieira
  9. Xutos e Pontapés
  10. Márcia e JPSimões
  11. Adriana Calcanhotto
  12. Fausto Bordalo Dias
  13. Manuel Freire

De A a Z para a Música na Educação... por João Frederico Ludovice

João Frederico Ludovice

João Frederico Ludovice

Produtor e Editor Multimédia. É um dos principais editores de música clássica nacional com cerca de duzentas e setenta edições de artistas e reportório português, para etiquetas como a EMI Classics, Virgin Classics, RCA Classics, BMG Classics, Philips Classics, Naxos, Dynamic e Resonare Records, sendo presentemente o produtor musical mais galardoado em Portugal com vários prémios da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

É atualmente consultor de marketing estratégico em projetos para a industria discográfica. Foi o responsável pelas edições fonográficas do Porto 2001, Expo 98 e Lisboa 94 Capital Europeia da Cultura. Foi consultor para assuntos culturais da Universidade de Évora e o consultor convidado pela organização da Festa da Música no CCB em Lisboa - La Folle Journèe. Foi programador na Antena 2 (RDP), na Rádio Geste e na Rádio Renascença Produtor da Orquestra Divino Sospiro. Exerce presentemente as funções de Administrador da plataforma digital PMH-Portuguese Musical Heritage.

Leciona a cadeira de Processamento de Sinal, de Síntese Sonora e Sampling e a de Criação Musical no curso de Produção Musical da ETIC/EPI. A sua formação musical foi realizada na Academia de Música de Santa Cecília, no Conservatório Nacional de Lisboa e no Instituto Gregoriano de Lisboa, MBA na Universidade Nova Lisboa/ ICHEC Bruxelas(Gestão de Projecto Digital Subject not thesis) e possui uma Post Graduação em Marketing na Universidade Católica de Lisboa.

Clique no seguinte link para ler este A a Z:

A

de Academia de Música de Santa Cecília.

Instituição onde dei os primeiros passos no estudo da música. Fui sempre bolseiro da instituição. Ensino de grande qualidade.

B

de Burmester.

Pedro Burmester pianista amigo com quem produzi diversos CDs e com quem obtive os meus primeiros prémios na qualidade de produtor discográfico.

C

de Christopher Bochmann.

O melhor professor de música que alguma vez tive.

D

de Divino Sospiro.

Quando cheguei ao CCB fui informado pelo meu antecessor, António Pinho Vargas, que tinha sido escolhido este agrupamento musical para orquestra barroca residente do CCB. No primeiro CD que produzi em conjunto, dedicado a Mozart, atingiu-se o primeiro lugar de lista vendas da Tower Records em Tóquio cidade onde o DS tinha estado a dar concertos no âmbito da Folle Journée. Seguiram-se (e seguem) muitos outros projetos comuns.

E

de EMI Classics.

A melhor etiqueta discográfica com quem trabalhei. Uma honra ter editado ali, como produtor, cerca de oitenta títulos. 90% de música e ou músicos nacionais.

F

de Ferreira.

1 -David Ferreira provavelmente o melhor administrador de uma etiqueta discográfica com quem trabalhei e 2 -Rui Ferreira o melhor diretor de marketing que já tive.

G

de Gilberta Paiva.

Pedagoga musical - Diretora da Academia de Santa Cecília e que, anos mais tarde, fez com que eu regressasse aos estudos musicais na sua classe do Conservatório após um "longo" intervalo de 7 anos. Foi através dela que acompanhei o percurso final dos estudos de António Rosado em Portugal e de quem me tornei admirador, amigo e produtor. Dessa amizade resultou a edição discográfica de vários discos com o António Rosado para a EMI Classics e para a RCA Classics. Ao entrar em estúdio com o este pianista relembro a preparação para o exame feita por Gilberta Paiva e da "passagem" do António para Aldo Ciccolini.

H

de Hora.

Joaquim Simões da Hora - O homem que me disse que eu deveria ser produtor discográfico e não músico. (Agradeçam-lhe ouvintes incautos! poupou-vos um grande dissabor).

I

de Instituto Gregoriano de Lisboa.

Possante, Helena Pires de Matos e Carmelo. Quem lá esteve sabe do que estou a falar. Um ensino de elevada qualidade.

J

de José Fortes.

Oitenta e cinco CDs gravados com o grande mestre da arte da captação sonora. 4 Discos platina, 16 de ouro e vários de prata, galardões da AFP que a ele os devo e ao mérito dos intérpretes.

K

de Ketil Are Haugsand.

O primeiro artista que editei internacionalmente. Considero-o como um Irmão. Obras de Carlos Seixas e a primeira crítica na Gramophone escrita por Stanley Sadie (editor do Grove dicionary of Music). Percebi que Joaquim Simões da Hora tinha razão ao dizer-me para me fixar neste trabalho. Foi o último projeto produzido com Joaquim.

L

de Leonhardt, Gustav.

O melhor sentido de humor musical.

M

de Mozart .

A Coluna de Harmonia da minha vida.

N

de Nicholas McNair.

Por brincadeira digo que Nic é a única relação (indirecta) que tenho com John Elliot Gardiner. Ambos (em pólos opostos de qualidade e conhecimentos musicais) consideramos o Nic como um raro tesouro das ciências musicais. Para as bestas mais renitentes e apenas para os simples, sugiro a leitura das notas do CD da ARCHIV da Flauta Mágica gravada por Gardiner. Se não atingirem a luz leiam as notas de programa CCB da Ópera Antígono de Mazzoni e percebam o papel que ele teve na produção.

O

de Oliveira Lopes, José.

Barítono. Conheci-o pessoalmente e foi visita regular minha casa nos últimos dez anos de carreira como intérprete. Ao ouvir as suas gravações mais antigas percebi o quão injusto é Portugal em não promover os seus melhores. Idem para Helena Sá e Costa. Ser-se professor de música em Portugal é abdicar de uma carreira.

P

de Polygram.

Quando deixei a Antena 2 fui convidado para trabalhar para a Deutsche Grammophon. Aceitei mas, quando me sentei a trabalhar como label manager disseram-me que teria de passar primeiro pelo pop rock. Editei/ promovi bandas como os Cure, ABBA BeeGees e muitas outras. Foi uma grande aprendizagem em marketing musical.

Q

de Quaerendo Invenietis.

Mateus 7:7, Lucas 11:9 Ao leitor da APEM que aqui chegou a esta letra (agradeço) pergunta-se, de que compositor falo eu?

R

de Rostropovich.

Mistislav Rostropovich - Um dia recebo uma chamada da EMI Classics, UK dizendo que aquele artista tinha mostrado interesse em conhecer-me. Na verdade Portugal tinha sido o único território europeu que tinha acreditado suficientemente na edição das Suites (Bach) para fazer publicidade de televisão. Queria agradecer-me. Não podia perder a oportunidade de, nesse encontro, lhe pedir para autorizar a edição do Concerto de Lopes Graça a ele dedicado. Romeu Pinto da Silva disse-me que a gravação feita com a Orquestra Gulbenkian no Festival de Sintra não estaria nas melhores condições. Mesmo assim fui com Romeu e com o António Toscano (Antena 2) almoçar com Rostropovich. Fiz o pedido a medo e recebi a seguinte resposta: Essa gravação pode não estar bem, como diz o seu amigo, mas eu gravei Lopes Graça (o dito concerto) com a Filarmónica da Rádio Moscovo dirigida por Kirill Kondrashin e se achar bem, posso enviar para sua aprovação. Declinei a "minha aprovação" pelas razões óbvias e hoje esta obra encontra-se editada na caixa de Cds da EMI Classics de Rostropovich.

S

de Sibertin.

Antoine Sibertin-Blanc - "Mais Si mais concetéze" Um grande Senhor Professor e a quem Portugal deve uma inteira geração de Organistas. Um refinado sentido de humor e um português escrito de fazer vergonha a escritores lusos. Gravei vários CDs com o artista.

T

de dois Tozés.

1 - Tozé Carrilho, um globetrotter da flauta de bisel que tarda a ser reconhecido em Portugal fora dos meios musicais. 2 -Tozé Brito que juntamente com David Ferreira é a pessoa que mais aprecio no mundo da edição discográfica.

U

de Uqbar.

País onde conheci Jorge Luís Borges e que pretendo revisitar em breve a menos que seja tudo uma Ficção.

V

de Viana César.

Poli instrumentista. Produzi mais de 8 Cds com o César. Dou aqui um testemunho em primeira mão. RCA Classics- Gravação em Berlim com a RIAS Big Band e reportório de G. Gershwin. O César Viana chega à noite ao hotel em Berlim e descobre que as partituras alugadas em Lisboa para a gravação não correspondem às versões e partes encomendadas. Agarra em papel de música e reescreve os arranjos todos. No dia seguinte na RIAS ninguém deu pela diferença. Mais tarde, noutro projecto (Sousa Carvalho/ Ketil Haugsand) descobre-se que a abertura deveria também ter tido cravo. Não há a possibilidade de regravar a orquestra. César Viana sentou-se ao Cravo que lá tinha em casa e (em multitrack) gravei-o num só take e hoje o CD menciona um cravista, Aires Nunes, que são os apelidos do Professor César Viana. Meteu-se agora a tocar Sakuachi e “não há quem o ature”. Disse-lhe recentemente para esquecer o Taiko já que tem vizinhos. Receberei por isso, estou certo, a chave da cidade de Madrid diretamente das mãos do Alcalde. "El Sakuachi i lo suportamos bien, pero èl tambor Japonés..."

W

de Wallenstein, Pedro.

Creio que não é exagerado dizer-se que contrabaixos não há argumentos. Mais não digo.

X

de Crossfade (Xfade).

uma técnica de edição musical (áudio) que resolve muitos problemas a artistas problemáticos.

Y

de Yvette Centeno.

Como sabemos é uma Magister Ludi de Castália que se apaixonou por Portugal. Actualmente dirige o Jogo das Contas de Vidro.

Z

de Zemlinsky.

Maria Fernanda Cidrais telefona-me, da Fundação Gulbenkian para a Polygram, a perguntar se tenho um CD com obras de Zemlinsky. Digo que sim, que o envio de seguida. Para escrever as notas de programa ela gostaria de conhecer a obra em causa. Lembrei-me de Francine Benoit e do meu pai que insistiam em conhecer o assunto musical sobre o qual iam escrever. Um exemplo.

De A a Z para a Música na Educação... por Edward d’Abreu

Edward d’Abreu

Edward Luiz Ayres d’Abreu

Compositor, musicólogo, editor e programador cultural, nasceu em Durban, África do Sul, em 1989.

Iniciou os estudos de música em Portugal aos cinco anos de idade. Estudou no Conservatório Nacional com Ana Sousa Lima e Rui Pinheiro (Piano), Eli Camargo Júnior e Daniel Schvetz (Composição). Frequentou os cursos de Arquitetura e de História da Arte e concluiu a Licenciatura em Composição com a mais alta classificação no exame final na Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou com Sérgio Azevedo e António Pinho Vargas. Em programa Erasmus frequentou o Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, tendo trabalhado com Gérard Pesson (Composição), Yan Maresz, Yann Geslin e Luis Naón (Música electrónica), Alain Mabit e Claude Ledoux (Análise). Em masterclasses ou em encontros académicos contactou com Emmanuel Nunes, João Pedro Oliveira e Marc-André Dalbavie, entre outros. Frequentou um Curso de Verão no Conservatório de Moscovo, onde trabalhou com o compositor Faradzh Karaev, e um Curso de Gamelão de Java no Museu Oriente, em Lisboa.

As suas obras foram já interpretadas pela Orquestra Gulbenkian (Inscriptions (X), sob a direção de Luca Francesconi), Orquestra Metropolitana de Lisboa (Sinfonietta per orchestra classica, sob a direcção de Michael Zilm — Encomenda OML, para o 23.º aniversário da orquestra) e Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (Parque de estrelas, vento e memórias, sob a direção de Pedro Neves). Recebeu encomendas da Orquestra Metropolitana de Lisboa, Rádio e Televisão de Portugal, Quarteto de Guitarras de Paris e Síntese — Grupo de Música Contemporânea. O seu poema sinfónico Pálido pálio lunar… foi estreado em 2017 pela Banda Sinfónica Portuguesa, sob a direção de Luís Carvalho, e distinguido com uma Menção Honrosa no V Concurso Nacional de Composição. Foi um dos vencedores do Concurso para Compositores Emergentes no âmbito do Festival CRIASONS, preparando neste momento a composição de uma nova obra a estrear em 2019.

Escreveu três óperas, a última delas, Manucure, estreada em 2012 no Teatro Nacional de São Carlos sob a direção de João Paulo Santos e a encenação de Luís Miguel Cintra. Em 2016 participou, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, num workshop de criação operática orientado por Willem Bruls na Académie du Festival d’Aix-en-Provence, evento promovido pela ENOA, European Network of Opera Academies. Concebeu os libretti de duas óperas com música de Daniel Moreira: Cai uma rosa… — estreada nos Teatros Municipais do Porto e de Almada em 2015 — e Ninguém & Todo-o-Mundo — com estreia prevista em 2018. É mestre em Ciências Musicais — Musicologia Histórica pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo defendido a dissertação “Ruy Coelho (1889-1986): o compositor da geração d’Orpheu” sob orientação de Paulo Ferreira de Castro. É membro do CESEM, Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical. O seu trabalho “‘…le Désir est tout…’ – Obras vocais de câmara de Ruy Coelho à luz do simbolismo fin-de-siècle” foi distinguido com o 2.º Prémio do Concurso Otto Mayer-Serra 2017 da Universidade da Califórnia. Actualmente é doutorando em Ciências Musicais, tendo sido neste contexto bolseiro da FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Concebeu e dirigiu artisticamente diversos projetos musicais e multidisciplinares, destacando-se os festivais Viagens pelo som e pela imagem, apresentados anualmente na Fonoteca Municipal de Lisboa entre 2008 e 2011. É membro fundador e Presidente da Direção do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, associação criada em 2009, no âmbito da qual tem concebido e coordenado diversos projetos editoriais e de programação musical, alguns deles distinguidos no contexto de apoios pontuais e bienais do Ministério da Cultura / DgArtes. Dirigiu as digressões do MPMP ao Brasil em 2014 e 2016, e o projeto operático O cavaleiro das mãos irresistíveis, resultado do cruzamento de investigação musicológica com criação contemporânea, apresentado pelo Ensemble MPMP, com encenação de António Durães e direcção musical de Jan Wierzba, no Teatro Municipal do Porto e no Teatro Municipal de Almada em 2015. No âmbito do MPMP foi ainda diretor-geral da revista Glosas, dedicada à divulgação da música de tradição erudita ocidental nos países de língua portuguesa, desde a sua fundação até ao seu 15.º número, publicado em 2016.

Como orador tem colaborado, em aulas, cursos ou concertos comentados, com a Fundação Calouste Gulbenkian, Teatro Nacional de São Carlos e Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. É Sócio Correspondente do Instituto Histórico da Ilha Terceira.

Clique no seguinte link para ler este A a Z:

A

de Amanhã. Música para construir futuro.

B

de Brincar. Se demasiado séria, a música perde som.

C

de Curiosidade. Compor. Criar. Sem invenção tornamo-nos autómatos.

D

de Desafio. Se demasiado fácil, a música perde longitude.

E

de Egos: há que escrutiná-los, não vá a nossa arte redundar em aparência.

F

de Fundamento, fundação. Música para cimentar desde cedo a nossa personalidade cívica.

G

de Gil Vicente. Música-teatro. Faz-nos falta, com aquela perspicácia e jovialidade.

H

de Hoje. Música para servir a contemporaneidade. Não vamos tocar para sarcófagos, não é verdade?

I

de Interdisciplinaridade. Não existe música absoluta. Não há música que não contenha nela tudo quanto a rodeie. Isto assumido, desenvolvamo-lo sem pudor.

J

de Jaques-Dalcroze. Missão sempre por continuar e aprofundar.

K

de Kawai. Memórias tragicómicas de quando era aluno de piano do Conservatório…

L

de Lusofonia. Escutemo-nos, ainda por cima porque é tão fácil comunicar na mesma língua… Camargo Guarnieri, Guerra-Peixe, Almeida Prado: ouvimo-los?

M

de Magia. Propriedade imprescindível do facto musical: procuremo-la quotidianamente.

N

de (al) niente. É uma expressão musical fascinante. Quando Ivo Salvini, em La voce della luna de Fellini, contempla maravilhado uma fogueira, pergunta-se para onde irão as faíscas quando se extinguem, para logo concluir que são como música: ninguém sabe para onde vai quando termina... Gostaria que pensássemos mais nesta imagem ao saborear o facto musical, que nos contivéssemos antes e depois da execução de uma obra… e sobretudo que se saboreasse o aparente vazio como corpo sonoro, as pausas entre andamentos, as respirações subtis, em vez do corriqueiro aproveitamento desses segundos para tossir, folhear partituras, esboçar sapateados, verificar relógios ou desembrulhar rebuçados..

O

de Orquestrar. Exercício maravilhoso! Será a orquestra o mais belo dos instrumentos? De uma forma ou de outra, devíamos todos, nalgum momento da vida, passar pelo desafio intelectual de colorir orquestralmente alguma ideia musical.

P

de Paz. Não necessariamente o desarmamento do mundo, mas a substituição das armas tradicionais por instrumentos de música. Que tal?

Q

de Qualidade. Aquilo que caracteriza uma coisa. Caracterizar. Dotar, atribuir significação. Pôr sobre cada gesto sonoro uma alma inteira.

R

de Ruy Coelho. Compositor a quem dediquei o mestrado e, parcialmente, o doutoramento. Exemplo da imensidão de património por inventariar, catalogar, interpretar, gravar, conhecer de facto, sob pena de continuarmos ausentes de nós próprios. Não há como valorizar a prática musical em Portugal se tão flagrantemente se desprezam os músicos das gerações anteriores à nossa, se tão enraizadamente se institui e confirma a ideia de que vivemos exclusivamente em torno dos cânones propagados a partir de dois ou três centros culturais hegemonicamente centro-europeus..

S

de Silêncio. De novo La voce della luna de Fellini: se todos fizéssemos um pouco de silêncio, talvez alguma coisa pudéssemos compreender...

T

de Tomás Borba. De novo um nome por conhecer, este fundamental para a história da educação musical em Portugal, autor de uma obra muito para aplaudir e para desenvolver. Como Jaques-Dalcroze!

U

de Universal: porque a música o não é. Nem todas as culturas entendem por “música” a mesma coisa, nem todos gostam de música. Uma sinfonia de Mahler, um assobio, o trovejar tem para cada pessoa, colectividade, sociedade, diferentes significações. Desfeito o mito romântico, é claro que a música pode ser, como qualquer sistema comunicativo, um veículo expressivo da maior importância. Mais: passado e presente trazem consigo um património que, acarinhado, não pode senão contribuir para uma humanidade fortalecida.

V

de Verdade: outro delírio. Há verdade em música? Em termos absolutos dispenso a reflexão. Mas em termos simbólicos não seria má ideia incentivar o aluno a ouvir mais atentamente aquilo que ele poderá ter para contar, incentivá-lo a improvisar, a tanger por si e para si. Ensiná-lo a interpretar uma obra segundo preceitos “historicamente informados”, mas fomentar também a desconstrução crítica desses preceitos e a criação de novas alternativas. Não havendo verdade, haverá pelo menos um conhecimento mais profundo de si próprio e do que pode ser, afinal, a própria música como arte.

W

de Wagner, Virgínia Wagner. Conhecem? Eu também não, mas aparece algures referenciada num dicionário de compositoras, e é portuguesa. Compôs música interessante? É possível. E que outras compositoras conhecemos? É tempo de questionar os cânones também no que tange à prevalência historicamente ostensiva do sexo masculino…

X

de Xérox. Ou, como corrente em Portugal, fotocópia. Um drama que frustra enormemente qualquer tentativa de edição musical física ou digital nos nossos dias. Não importa muito a criação de leis: educar em música deveria privilegiar esta consciencialização como missão cívica quotidiana.

Y

de Youtube. Instrumento de grande utilidade. Meio e não fim. Se assim fosse aproveitado…

Z

de Zelo. Empenho solícito em procurar o bem próprio ou alheio. Palavra-síntese de quanto escrevi aqui.

De A a Z para a Música na Educação... por Paulo Lameiro

Paulo Lameiro

Paulo Lameiro

Musicólogo, pedagogo, comunicador e criativo português natural de Leiria. Depois de uma breve carreira como Barítono, tendo cantado a solo e integrado o Coro do Teatro Nacional de São Carlos em Lisboa, dedicou-se ao ensino e assumiu a direcção de várias escolas de música, nomeadamente o Conservatório Nacional de Lisboa, o Orfeão de Leiria e a Escola de Artes SAMP em Pousos.

É especialmente a partir desta sua aldeia natal que desenvolve, desde 1992, projectos de educação e produção artística para a primeira infância, de que se destacam Berço das Artes, Músicos de Fraldas, Concertos para Bebés e Pinhal das Artes. Tem vindo a interessar-se mais recentemente pelas práticas artísticas com a comunidade, de que sobressaem projectos como Ópera na Prisão, com reclusos, Novas Primaveras para pessoas idosas, Il Trovatore ou os Roma do Lis com comunidades de etnia cigana.

Foi membro fundador, e integrou o primeiro Conselho Científico, do Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa – FCSH, tendo publicado como etnomusicólogo em várias revistas da especialidade. Integrou ainda a Comissão de Liturgia e Música Sacra da Diocese de Leiria-Fátima, e foi o fundador e maestro titular durante 12 anos da Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima.

É pai do Simão e da Natércia, e tem como passatempo a criação de carpas KOI para quem gosta de olhar demoradamente.

Clique no seguinte link para ler este A a Z:

A

de Nunca esquecer o essencial. Os primeiros encontros que proporcionamos entre a Música e os alunos devem ser primariamente de fruição, prazer e descoberta e não de ensino. Musicalmente, porque muito antes de organizarmos os sons, foram eles que nos organizaram. Acreditamos?

https://www.musicalmente.pt

B

de Começar sempre por ouvir e conhecer os universos e preferências musicais dos nossos alunos. Alunos e todos os outros. Tantas vezes, fascinados que estamos com a música e os processos que nos extasiam, fazemos carreiras solitárias no palco e na sala de aula. Quase sempre, ouvi-los, ouvir com os outros, Basta.

C

de ter a Voz sempre à mão. Na falta de ideias, materiais, método e sistema, plano, convicções e disposição, instrumentos afinados, sistemas de som disponíveis, do jardim de infância à universidade, em qualquer sala, recreio ou praça, façamos um coro. Cantemos.

D

de Cuidar os nossos pares, e antes de pensar em estar com os nossos alunos, estar com os nossos colegas. É na sala de professores da escola que começam as nossas aulas e a aventura maior de levar a música a toda a comunidade. Não se pense que nas escolas de música já estamos todos convertidos e é só nas salas com professores de Português e Matemática que tem lugar o Desafio.

E

de Pensar o som dos espaços de educação que habitamos. O fascínio dos nossos encontros com o som organizado por mestres é tantas vezes abalroado pelos cenários acústicos de refeitórios, corredores, pátios, jardins e bares escolares. Nem a mais perfeita sala de aula o consegue fazer esquecer. Importa-nos, pois, sem medo da palavra e dos actos que na escola ela nos implica, Educar para a qualidade de todos os sons.

F

de Investir nos equipamentos e recursos que usamos, em especial a qualidade dos ficheiros sonoros e dos sistemas de leitura e reprodução. Coisas simples, como não dar a ouvir as sinfonias de Mahler em colunas de computador compradas numa loja de conveniência. A qualidade das experiencias de fruição musical que oferecemos é em pequenos gestos e cuidados Fomentada.

G

de Evocar com os nossos alunos os professores que nos abriram caminhos inesperados e fecundos. Aqueles de quem ganhámos novos ouvidos, de quem recebemos a coragem para arriscar mudar de instrumento, mudar de gira-discos, e mudar de vida. Na minha lista estão Jorge Peixinho, Constança Capdeville, José Oliveira Lopes, João de Freitas Branco, Rui Vieira Nery, Salwa Castelo-Branco, ... Gratidão.

H

de Prever tempos e lugares. A música pode ser feita e partilhada em todos os cenários, territórios e estações do ano. Mas, como as frutas e os legumes, ela sabe-nos muito mais autêntica e intensamente se cuidarmos o onde e o quando. O mesmo vinho pode saber-nos ao melhor dos néctares ou ao fel em função do que antes comemos. Pois, devemos servir a música como se de um vinho (ou um chá) se tratasse, e cuidar o programa e os conteúdos como uma autêntica Horta.

I

de Fazer sempre música, nunca ter medo de tocar e cantar para os nossos alunos e professores. Os professores, antes de professores percecionam-se como pessoas que fazem e gostam de música. Na sala de aula os alunos não se transformam por ouvir professores virtuosos com ou sem carreira, envolvem-se sim ao ouvir e ver professores apaixonados e embrulhados nas práticas musicais. E acima de tudo, não a reproduzir, mas sim a Improvisar.

J

de nos Despirmos das fronteiras históricas. Às vezes, sem o saber, levantamos muros ao sucesso pelo uso dos rótulos velhos do clássico ao jazz, do tradicional ao pop, do world ao indie ou ao pimba. Apresentar a música com estas fronteiras, só por si, pode ser o suficiente para criar barreiras em muitas comunidades escolares, cada vez mais “multi”. Importa deixar exprimir e tocar livremente os nossos alunos, não na última aula do ano, sempre e !

K

de Intimidade, porque sempre me fascinei muito mais pelas experiências interiores, pelos longos tempos de reverberação dos espaços, que assim nos deixam ouvir o passado agora, pelas tubarias dos órgãos que trepam paredes de pedra e se elevam a dezenas de metros de altura, como na preciosa catedral de Colónia. Mas nesse mesmo burgo, quando à intimidade mais cúmplice se juntou a genialidade e a energia criadora, ouvimos vezes sem fim o Keith Jarrett no seu Köln Concert.

L

de Voltar às origens. São 11 as filarmónicas no meu concelho natal, e estamos ainda muito longe de conhecer o lugar destas formações nas suas mais diversas faces na educação, impacto social e cultura das comunidades que habitam. Entre pisar o palco de São Carlos em noites memoráveis ao lado de artistas como Fiorenza Cossotto e Plácido Domingo, e fazer um peditório no alto da serra de Aire e Candeeiros a tocar umas marchas atrás de um andor, eu nunca consegui saber muito bem onde era maior o prazer. Sendo que nem a cantar nem a tocar fliscorne eu tinha os predicados mínimos. Voltei a Leiria.

M

de Começar sempre pelos compositores e pelas obras que mais amamos e nunca pelos que constam do programa. É a nossa excitação que apaixona e não o nosso saber. No meu cardápio estão sempre Berio, Mahler, Schubert, Bach, Naragónia, Amália e Monteverdi.

N

da melhor música de Dança para se ouvir. Levado pelo folk e pelas danças do mundo conheci o Toon e a Pascale, no mesmo local onde ambos também se conheceram, no Andanças de Carvalhais. Ao mesmo tempo que se me abriu todo um universo de novos olhares sobre música e dança historicamente informadas, dancei e ouvi Alio, uma mazurka que passei só a ouvir. Este duo não tem nada de especial, a não ser que me transporta para mais perto de mim. Chama-se Naragónia.

O

de ter sempre presente o Lugar de cada coisa. Importa que o professor de instrumento saiba que muito mais importante que o violino ou o piano é a Música. E depois, não esquecer, maior do que a Música é a Arte, toda a Arte. E ainda assim, se ficarmos só pela Arte, esquecemos o mais importante, a pessoa, aquela pessoa de qualquer idade que se nos entrega entre 4 paredes. Quando falhamos, quase sempre, é porque cuidamos tudo menos a pessoa. Importa saber das coisas o seu lugar e Ordem.

P

de saber que começamos a Ser mesmo antes da conceção. Começamos por ser o sonho dos nossos progenitores, as suas vidas, o que eles ouvem e os emociona, até que deles também recebemos um corpo que vibra e se encontra pelas vibrações. Em bebés não precisamos de aulas de música, de oficinas criativas e muito menos de concertos para bebés, mas é bom que se saiba que já somos. E na verdade, o que importa mesmo é o que fazem e cantam para nós e connosco todos os que nos rodeiam, em especial os nossos Pais.

Q

de Esquecer de vez as idades e os estatutos de cada um de nós. Não podemos ter uma escola de alunos, professores e encarregados de educação. Os pais dos nossos alunos não podem ser convocados e recebidos como encarregados de educação. São pessoas, uma a uma, são professores e alunos como nós, com um desejo mais ou menos secreto, mais ou menos intenso de também tocar saxofone como a filha ou cantar como o vizinho. Uma escola que não está e se integra na comunidade. Uma escola que é a comunidade. Para Quando?

R

de dar Testemunho dos nossos primeiros mestres. Todos guardamos na memória aquele professor que radicalmente nos abriu um outro universo da música, e o brilho nos olhos que não conseguimos evitar ao partilhar esse primeiro encontro contagia quem nos rodeia com um poder muito superior à melhor das nossas aulas. Obrigado Raquel Simões.

S

de Resistir ao uso da música na sua condição de ferramenta auxiliar. Ora seja para animar festas e eventos, ou porque música e matemática é tão cool, para ajudar nas línguas estrangeiras é um must, e para disciplinar “rebeldes e hiperativos” é do melhor. Sim, tudo se pode fazer, mas sem retirar o tempo e o investimento ao essencial e mais importante, a Arte e a Música interessam-nos e valem por Si.

T

de um Poder extraordinário que a Música também tem e é, porque na verdade, valendo por si, contém na sua génese uma relação com a saúde e o bem-estar, estrutura e fortalece relações pessoais e sociais, oferece um forte impacto no que somos nas nossas dimensões física, psíquica, emocional, social e espiritual. Sim musicoterapia. Sim música nos hospitais, nas prisões, e em todo o lugar onde possa fazer falta a alguém. Música é também isto Tudo.

https://www.reuters.com/article/us-portugal-crime-opera/young-portuguese-inmates-sing-mozart-opera-on-way-to-freedom-idUSKBN1K31G2

U

de construir e viver um lema claro e mobilizador em toda a comunidade escolar. Mais importante que colocar músicos em palco, é colocar a música na vida das pessoas e das comunidades. Foi por aqui que começámos a aventura de um projecto chamado Escola de Artes SAMP, na pequena aldeia dos Pousos, junto ao Lis. Sonhar novos caminhos e energizar as nossas escolas é Urgente.

https://arestlessart.com/2015/10/26/against-the-odds/

V

de Comunidade, que não pode ser somente quem acolhe a escola, quem a integra e recebe. As práticas musicais que fazemos não devem impor-se como distintas e exclusivas de uma casta eleita, devem nascer e contruir-se com as pessoas das ruas, das aldeias, vilas e cidades que as receberam, também dos seus gostos e necessidades. Dialogar com os territórios familiares e sociais é a chave para o sucesso mais amplo de uma escola, também de música. Só quando o conseguimos podemos cantar Vitória.

W

de nos Interrogarmos sobre alguma solidão que resulta de não querer ou conseguir olhar para o lado. A música nunca foi só música. Só existe pela vibração, no movimento e no espaço, na dança e na arquitetura, no teatro, na poesia, no cinema.... Deixemo-nos abraçar por outras linguagens artísticas, sem ter necessariamente o desejo de uma obra de arte total, como sonhava o Wagner.

X

de ter a Consciência que são muito mais as dúvidas que as certezas, e que é por elas que mais avançamos. Não hesitar em partilhar essas dúvidas com os alunos e os nossos pares, com os pais e com a comunidade. A neurociência, em especial a neurobiologia, os novos rumos políticos da Europa e do mundo, a curva descendente no investimento em Cultura que teima em manter-se por todo o mundo ocidental, colocam-nos a cada dia novos desafios sobre o lugar da Música nas nossas vidas. Mas, como na matemática, é só uma variável o X.

Y

de não fazer ou pensar rigorosamente nada (para dar um pouco mais de espaço e tempo ao Z, que precisa). Yeah!!!

Z

de AQUI CONTIGO. Foi pela mão de uma filarmónica que me descobri, que me encontrei na música e na minha vida. Fui criança com adultos e idosos, fui aprendiz com mestres, toquei hinos e rapzódias, aberturas e concertos, em carreiros, palcos e adros. Aprendi a respeitar o tempo, não o da partitura, o da vida. E por ela, pela filarmónica, apesar de me ter fascinado em tempos pelos bebés, e pela origem e descoberta do que somos, hoje é o momento final da vida que me fascina. Momento esse para quem tem 8 horas de vida, 800 gramas de peso, toda a tecnologia e entes queridos ao seu redor, ou para quem tem 80 anos e ninguém a seu lado. A Música se não o é, será geminada com a última fronteira, e por isso temos experimentado na SAMP encontros pela e na música que não sei descrever, desculpem-me. Chama-se Aqui Contigo este programa, e é só um dos muitos portos nesta viagem que se inicia com a gravidez, no Primeiro Auditório. A música, esta companheira de A a Z.

https://arestlessart.com/2017/04/19/speaking-of-unspoken-things/

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A APEM

A Associação Portuguesa de Educação Musical, APEM, é uma associação de caráter cultural e profissional, sem fins lucrativos e com estatuto de utilidade pública, que tem por objetivo o desenvolvimento e aperfeiçoamento da educação musical, quer como parte integrante da formação humana e da vida social, quer como uma componente essencial na formação musical especializada.

A APEM é filiada na ISME - Internacional Society for Music Education como INA - ISME National Affiliate

Cantar Mais

Cantar Mais – Mundos com voz é um projeto da Associação Portuguesa de Educação Musical (APEM) que assenta na disponibilização de um repertório diversificado de canções (tradicionais portuguesas, de música antiga, de países de língua oficial portuguesa, de autor, do mundo, fado, cante e teatro musical/ciclo de canções) com arranjos e orquestrações originais apoiadas por recursos pedagógicos multimédia e tutoriais de formação.

Saiba mais em:
http://www.cantarmais.pt/pt

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